sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Observador

O horário de verão tá acabando e devemos fazer algumas sérias considerações a respeito deste:

  • Por que sempre que ele começa aparecem as mesmas reportagens a respeito do quanto o adiantar de uma hora nos relógios muda os hábitos daqueles que acordam cedo? Até parece! Quem acorda cedo de verdade raramente consegue dormir mais de 6 horas por noite. Quando consegue 7 horas de sono se sente muito bem.
  • Se esses trabalhadores estiverem em cidades litorâneas como o Rio de Janeiro (ou Rio das Ostras, onde moro), estarão cagando pra hora de sono a menos que rola no primeiro fim de semana. O importante mesmo é a hora de sol a mais pra tomar uma cerveja na praia depois do trabalho.
  • Quando está próximo ao fim, o horário de verão provoca reportagens sobre a energia poupada no período, etc. O que realmente importa é que, em sua última noite, ele nos proporciona uma hora a mais para curtirmos o que quisermos. Seja uma balada dançante, um papo com os amigos, regado a música e bebidas ou uma noite de sexo. Se for num motel, melhor ainda. Você paga por seis horas e leva uma de graça. Taí uma boa dica para a última noite de horário de verão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O Cafajeste Adolescente 2

A PRIMA DA VIZINHA

Uma das primeiras cafajestadas que cometi na adolescência está relacionada a uma vizinha (leia-se, a vítima) que morou no mesmo condomínio que eu e minha família durante boa parte dos anos oitenta. Aliás, os condomínios, se vistos por um certo ângulo (logo vocês vão entender qual), podem ser um ambiente muito propício à formação de um jovem cafajeste. Como?
Pensem! As brincadeiras no pátio, nas escadas, na garagem e em outros cantos de um conjunto de prédios podem revelar tendências das mais variadas. No caso de um amigo de infância, o homossexualismo (não comigo!). Para uma amiga, a certeza de que gostava muito de meninos. Até aí, nada! O problema era que a garota gostava tanto da coisa que acabou queimando a própria imagem no condomínio e se tornou o que nós chamávamos, na época, de garota “Piscina Tone”, a “alegria da garotada”, coisas de comercial de TV antigo. Voltando ao meu caso, as brincadeiras de criança pelos cantos do condomínio revelaram uma tendência positiva no ponto de vista masculino mas que trouxe péssimas conseqüências para algumas garotas. Eu simplesmente não resistia a um rabo-de-saia.
Pois vamos aos fatos. Certo dia, chegou ao condomínio uma família vinda de Curitiba. Pai, mãe e duas filhas. Uma adolescente – cerca de 16 anos – que aqui chamarei de Carla e a outra com apenas três anos de idade. Ah! Um detalhe. Quase todos descendentes de japoneses, menos a mãe, que tinha traços europeus. Não preciso dizer que adorava o biótipo oriental (e também o europeu, o africano, o nordestino, o indígena...).
Carla era realmente bonita. Apesar de não ser do tipo que se possa considerar como uma beleza incontestável, eu a considerava muito bonita. O certo era que todos os caras da área se interessaram pela carne nov...quer dizer, pela nova moradora e todos a cercaram de atenções. Queriam dar dicas de como se locomover, se divertir, aonde ir, o que fazer. No meio disso tudo, a melhor estratégia de aproximação era não mostrar interesse nenhum em fazer parte daquele circo. Era o elemento surpresa. Chamar a atenção ao não dar atenção. Nem preciso dizer que logo a menina estava querendo saber quem era aquele garoto que saía de perto quando ela chegava, que apenas esboçava um “oi” seco quando passava por ela. Até que um dia, ao nos encontrarmos no elevador do primeiro bloco, ela finalmente resolveu fazer tais perguntas pessoalmente.
Neste momento devo chamar a atenção para um detalhe. Ao contrario da maioria dos caras que conheço, nunca fiz parte do clube dos apressadinhos, aqueles caras que, ao conhecerem uma mulher, partem logo para o beijo ou, no mínimo, para a tentativa. Sempre agi como um verdadeiro caçador. Espreitava minha presa. Nunca tinha pressa. Por mais que a aproximação durasse semanas ou meses, o que importava era a conquista. Tudo bem que, como qualquer adolescente galinha, eu me sentia o máximo, simplesmente irresistível. Com o tempo percebi que não era bem assim, não tinha sido agraciado com o dom da beleza e parti para a exploração de outros talentos. Mas isso é papo para um outro capitulo.
Do momento em que eu e Carla conversamos pela primeira vez em diante tudo foi muito fácil. Eu já havia chamado tanta atenção com a minha aparente indiferença que nem precisei fazer aquele tradicional interrogatório, ela fazia questão de me contar tudo sobre sua vida. O que gostava, o que detestava, como era Curitiba, o namorado que deixou por lá. E foi justamente neste ponto (o namorado que ela teve que abandonar em Curitiba) que notei qual seria o caminho a ser tomado. Qual seria o personagem a ser interpretado. A partir daquele momento eu seria o novo amigo, o consolador.
Logo minha estratégia se mostrou muito eficiente e nós começamos a ficar (não é assim que vocês dizem?) todas as noites. Primeiro, às escondidas, quando todos subiam para seus apartamentos. Depois começamos o que parecia ser um namoro, mas sem grandes compromissos. Vocês entendem, não é? Tudo correu bem durante uns cinco ou seis meses até que, num fim de semana de dezembro, ela surgiu. Baixinha, nem magrinha nem gordinha, prefeita. Loira, traços europeus, olhos verdes, coxas roliças e seios que levaram a galera a aplicar-lhe o apelido instantâneo de “fura-bolo”. Em resumo, meu tipo preferido de mulher. Naquele momento, é claro! Um cafajeste adolescente não tem tipo preferido. No meu caso, devo confessar que as baixinhas sempre me encantaram mas, tirando esse detalhe, todo o resto era bem-vindo. A única frase que passava pela minha cabeça era: “Eu quero isso pra mim”. “Eu quero isso pra mim”.
Após as devidas apresentações, a Rosane – era o nome daquela pequena deusa curitibana, prima da Carla por parte da mãe – disse que tinha muita curiosidade a respeito da fama de alegres e mulherengos atribuída aos fluminenses (lembrem-se que carioca é aquele que nasce na cidade do Rio de Janeiro). depois dessa, me senti obrigado a provar que as coisas não eram bem assim. Poderiam ser muito piores.
Dois dias após conhecer da Rosane, cheguei mais cedo da escola, pois era dia de prova final. Ao passar pela portaria e olhar para os fundos do pátio, como fazia sempre que entrava no condomínio, notei algo diferente naquela paisagem de todo dia. Era ela, meu objeto curitibano de desejo, sozinha sentada ao sol. Neste momento me senti como num daqueles desenhos animados onde um anjinho e um capetinha ficam, um de cada lado da cabeça de um personagem qualquer, representando a eterna dúvida: serei bonzinho ou serei humano? Eu resolvi ser humano. Sentei-me ao lado dela e falamos sobre um monte de coisas que não consigo me lembrar. Só me lembro que fiz várias piadinhas a respeito da espantosa beleza da guria, todas foram retribuídas com um sorriso que mais parecia um ímã me atraindo em direção àquela boca. Logo, a Carla chegou e eu, como sempre, disfarcei.
Na semana seguinte eu, como a Rosane, já estava de férias. A Carla ainda teria mais uma semana de provas. Isso se não ficasse em recuperação, o que era provável, visto que a adaptação à nova escola havia sido difícil para ela. Era a chance que eu precisava e não pretendia desperdiçar. No inicio, pensei em descer para o pátio todas as manhãs e espreitar minha presa até atingir meu objetivo. Nem precisei de tanto. Na segunda manhã, no meio de um papo qualquer, rolou um beijo. Depois um segundo, um terceiro e, assim foi durante duas semanas.
No final da segunda semana tínhamos a mesma pergunta em mente: e agora? Como vai ser? Pensamos em contar tudo para Carla, porém logo descartamos tal hipótese. Rosane só ficaria mais uma semana. E depois? Como ficaria meu namoro e a amizade das duas primas. Decidimos que seria melhor não contarmos nada e pararmos por ali. Não deu certo. Na semana seguinte, toda vez que nos esbarrávamos sem que ninguém nos visse, era como se um de nós fosse uma moedinha e o outro um enorme ímã. Era muito magnetismo para pouco “metal”.
A última semana de provas da Carla acabou. A Rosane se foi. Meu namoro seguiu muito bem por mais alguns meses, mas logo terminamos. O que me deixou muito triste por um dia inteiro. Ah! Quase esqueci. Pouco depois chegou uma nova família no prédio. Desta vez vinda de São Paulo. Um casal e sua filha única, Adriana. Cabelos lisos, curtos e escuros. Olhos grandes e castanhos. Lindíssima! Bem, o resto vocês já devem imaginar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O professor 1



Mais um ano letivo começa.

Antes de mais nada, FELIZ ANO NOVO PARA TODOS!!!!
Pois é, existe o ano novo cristão, o chinês e o ano novo brasileiro, que começa na segunda-feira posterior ao carnaval. Desta vez o ano novo brasileiro coincidiu com o início do ano letivo. Sim! hoje foi o primeiro dia de aula na maioria das escolas do país e, é claro, lá estava eu. Mais um ano de trabalho que se inicia. Feliz 2008!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Fathern

  • Se você tem gosto pela aventura, adora exercícios e curte fortes emoções...seja pai.
  • Esqueça dos belos mergulhos e do nado solitário. Pai é aquele que quando está na praia, nunca consegue ir ao mar sozinho. É só pisar na água para os pequenos virem correndo, jogando aquela água gelada em você e gritando: "Paaaaaaaaai! Espeeeeeraaaa!
  • Carnaval divertido? Noites acordado na folia? Bailes animados? Esqueça! Agora o negócio é seguir os primeiros blocos do dia, e curtir matinês. Passar o tempo todo sendo atropelado por pestinhas e tentar evitar que sua cria seja pisoteada enquanto cata confetes no meio do salão lotado.
  • Saia com seu filho, vá ao cinema, leve-o a um parque, brinque com ele, compre algumas das milhares de bugigangas inúteis que depois ficam jogadas num bauzinho qualquer no quartinho dos fundos e mesmo assim veja seu filho voltar para casa triste, choroso e insatisfeito por você não ter comprado uma última bala no caminho para o estacionamento. Insatisfação é um dos sinônimos de criança.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Cafajeste Adolescente 1

Antes de mostrar a primeira das aventuras de nosso personagem vale atentar que, apesar da veracidade das histórias deste e de seu similar universitário, cada uma delas representa um estágio do amadurecimento do autor e de seus amigos mais chegados. Todos hoje são respeitados profissionais e chefes de família (acreditem se quiserem).

PAUSA PARA O CARNAVAL



Niterói, década de 80. Uma das situações mais comuns entre os garotos é o pedido de tempo (leia-se: “vou sair, namorar, aproveitar e depois volto. Esteja pronta!”). As justificativas são as mais diversas: “preciso me dedicar mais aos estudos, tenho que passar no vestibular”; “entenda, não é com você, é comigo”; “não estou em uma boa fase”; “preciso de espaço"; "nosso relacionamento me sufoca"; "precisamos abrir novos horizontes, conhecer outras pessoas”.
Bem, na verdade estas e outras frases não passam de formas delicadas, ou não, de dizer sempre a mesma coisa: “Tô de saco cheio de ficar preso. O mundo está cheio de mulheres livres e eu estou a fim de galinhar um pouquinho”. O êxito desse artifício vai depender da reação de cada namorada a tal atitude nem sempre inesperada. Lembro-me de ter dito frases como estas (geralmente ficava com aquela do “não é com você”...) umas três vezes. Talvez quatro... Tá bom! Várias.
Algumas das reações formam realmente inesperadas, outras previsíveis. Uma vez, quando tentei dar um tempo, pela segunda ou terceira vez, num relacionamento de cerca de dois anos, tive uma grande e merecida surpresa.
Tudo começou às vésperas do Carnaval de 1987 (quase sempre os pedidos de tempo acontecem às vésperas de grandes festas ou férias). Minha namorada, a Leila, era uma menina um tanto controlada pela mãe e raramente tinha permissão para sair comigo, o que eu adorava. Viajar então, nem pensar! Era a segunda vez em minha vida que eu iria passar um Carnaval longe da minha família, o que significava liberdade total e, desta vez, numa das regiões mais badaladas do Estado do Rio nesse período do ano, a Região dos Lagos. Iríamos ficar na casa que o pai de um amigo meu alugara com o cunhado. Todos na família eram muito bacanas e liberais. Nos emprestavam os carros e, como um deles era dono de um bar, o que não faltava era cerveja.
Vocês devem estar pensando: “o canalha, pensando em se divertir sem nenhum sinal de consciência pesada, deu o fora na namorada”. Pois foi exatamente o que eu fiz. Fui a casa da Leila e contei minha história. Disse que estava preocupado com nosso futuro e que não sabia se nosso namoro sobreviveria a um segundo Carnaval., que não era nada “com ela” e sim comigo, etc. então finalmente ela teve uma reação inesperada. Da forma mais passiva que vocês possam imaginar, ela simplesmente aceitou. É lógico que eu estranhei tanta passividade mas, como se tratava da preparação para a maior festa de nosso calendário, deixei para lá.
O Carnaval foi maravilhoso. Conheci umas garotas muito loucas e, de um grupo de quatro, fiquei com três. Diversão garantida. O pai do meu amigo levou cerca de trinta caixas de cerveja e, além disso, tinha acabado de comprar um carro novo (um Del Rey, carro de luxo naquela época) que ficou com a gente durante toda a semana. Resumo: formávamos um verdadeiro bando de “Playboys”. Mas voltemos ao nosso tema central.
Quando voltei para casa, preferi não ir diretamente a tentativa (certa) de reconciliação. Preferi fazer os tradicionais contatos pós-carnavalescos com as garotas que conheci na Região dos Lagos. Só apareci na casa de minha namorada (ou seria ex?) duas semanas depois. Foi quando me surpreendi com um certo carro (um FIAT modelo UNO, quase um símbolo de Status entre os pós-adolescentes da época) estacionado na frente da casa dela. Pensei: algum mané que não conseguiu encontrar vaga na rua. Mas a rua estava quase vazia, a exceção do tal Uno, uma Kombi velha e o meu carro, ou melhor, o carro do meu pai, que estava comigo. É lógico que naquele momento minha genial fábrica de teorias pensou no pior: ela arrumou outro! Desgraçada, piranha, cachorra, vagabunda, etc. Era tudo que eu conseguia pensar naquele momento. Tudo bem que hoje sei que mereci aquilo mas, naquela hora tudo que eu queria era matar aquela infeliz. Respirei fundo e dei meia volta. Fui para casa tramando o que diria a ela quando tivesse chance.
No dia seguinte voltei a casa dela. Estava certo de que, com um pouquinho de charme, usando as palavras certas (e eu conhecia todas) e talvez, se fosse necessário, apelando para a mais extrema estratégia que um cara pode utilizar no processo de convencimento: o choro, conseguiria de volta o que era meu (é isso mesmo! A gente aos 18 anos acredita mesmo que é possível ser dono de alguém). É bom frisar que naquele tempo eu, como todo pós-adolescente, era o cara mais pretensioso do planeta. Achava-me o máximo. Acreditava que aquela garota que, por infinitas vezes me jurou amor eterno, cairia facilmente na minha lábia de vilão arrependido. Não caiu. Então, apelei para o mais previsível, disse que ela não poderia me trair (?) daquela forma. Estávamos separados apenas na teoria. Como no carnaval anterior.
O que eu não sabia era que Leila tinha aprendido muito com o carnaval anterior. Coisas como: se houver um novo corte no relacionamento que seja para valer, "à Vera"! Foi aí que eu parti para a apelação. Como havia perdido meu território por definitivo, entrei na fase da difamação. Saí pelo bairro contando a todos os meus amigos o quanta aquela garota havia sido desleal, infiel, cruel, insana, leviana. E eu, pobre coitado, corno.
É claro que alguma lição eu haveria de tirar de tudo isso. Mas ainda não seria agora a minha redenção. Na verdade esta é mais uma daquelas situações em que só hoje consigo perceber o quanto eu era igual a todos os outros caras da minha idade. Presunçoso, arrogante, pedante, prepotente, convencido, pretensioso... Agora só me restava uma saída: promover a outra, uma garota com que ficava a cerca de seis meses, ao cargo de namorada oficial. Fazer o quê?