segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Observador

Cenas que eu gostaria de ver


Computador realmente popular (só faltou um Linux)


Renovação de hábitos alimentares



Princesas sem frescuras


Banheiro automático



Sinalização adequada



domingo, 13 de abril de 2008

O Cafajeste Adolescente 4

Antes de apresentar mais uma das histórias de nosso personagem que desejar a minha amiga Leila Martin (não a ex-namorada do Cafajeste Adolescente) toda a felicidade que se possa conquistar, seja onde for. Leila guerreira, mãe que sabe dar as crias ao mundo, amiga que ouve e fala, sempre na hora certa. Leva nossos corações contigo pelo mundo afora!



A FESTA DAS GÊMEAS

Uma das festas mais incríveis de toda a minha adolescência aconteceu na primavera de 1986. Eu tinha dezoito anos e era o cara mais velho de minha turma na escola. Por sinal, era a terceira vez que eu cursava o primeiro ano do segundo grau e me achava o máximo por isso. Sei lá! Parece que eu acreditava que essa coisa de ser “Bad boy” tinha um certo charme. E quem sabe não tinha mesmo? Aliás, uma coisa hoje me intriga: Por que tantas garotas de minha geração se sentiam atraídas por caras do tipo rebelde? Caras mais velhos, repetentes, fumantes, “galinhas” e com grande resistência a autoridade. Talvez você, querida leitora, possa responder esta pergunta ou, pelo menos, confirmar que vocês gostam mesmo é de nós, os cafajestes.

Bem, vamos voltar ao nosso assunto principal. Neste período conheci uma pessoa que ainda fará parte de alguns dos próximos capítulos, a Renata. Uma garota com quem fiquei por mais de um ano apesar de não ser minha namorada (nesta época eu ainda namorava a Leila, aquela do carnaval. Lembram?), somente mais tarde nos tornaríamos namorados. Ela fazia parte da turma que organizava festinhas nas tardes de sexta após as aulas. Era um grupo muito bacana. Formado por alunos de várias turmas da escola. Desde a oitava série até o terceiro ano. Um bom grupo de amigos. Também falarei sobre essas festinhas mais adiante. Faziam parte de nossa galera duas irmãs gêmeas que estudavam na oitava série, Carla e Patrícia. Idênticas em quase tudo. Não foram agraciadas com aquela beleza incontestável, mas possuíam alguma. A principal qualidade das duas estava no fato delas terem muita, muita grana. Moravam em Maricá, uma pequena cidade que fica a uns cinqüenta quilômetros de Niterói, numa casa que mais parecia um sítio, de tão grande que era o terreno. A Patrícia era a mais extrovertida. Alegre, charmosa e brincalhona. Já a Carla era mais fechada, porém muito inteligente, observadora e estudiosa.

Carla e Patrícia (gostavam que falássemos nessa ordem, visto que a Carla foi a primeira a nascer) eram as aniversariantes da vez. Iriam completar quinze anos e a família preparara aquela que até hoje é considerada uma das maiores festas de nossa época de escola. O evento (e que evento) aconteceria na casa da família. Para os convidados de Niterói foram fretados dois ônibus, um deles especialmente para os amigos das meninas. Imaginem! Um bando de adolescentes viajando sozinho, à noite, em direção a uma incrível festa. Pois é! A festa já começaria no caminho.

Porém eu tinha um “probleminha”. Leila, minha namorada. Eu bem que poderia leva-la, mas seria como levar uma marmita para um banquete. Além das meninas da escola, praticamente todas as garotas de Maricá estariam nessa festa. Seria uma agressão a todos os princípios que regem a existência de um cafajeste adolescente. Seria uma heresia. Então, eu deveria encontrar uma estratégia para, numa noite de sábado, despistar minha namorada. Seria fácil se a turma fosse sair após as dez da noite pois a mãe da Leila não a deixava sair com freqüência. O grande problema era que o nosso ônibus sairia às oito horas. Cedo demais para que eu saísse da casa dela. Percebi então que teria que utilizar uma estratégia clássica que, porém, não deve ser usada com freqüência pois gera muita desconfiança e é muito perigosa. As chances de ser detectada são sempre enormes. Pois é, eu deveria “adoecer”. Podem dizer o que quiserem mas adoecer é uma verdadeira arte. Exige uma forte veia dramática, muita cara de pau e um pouco de conhecimento a respeito de certas patologias. Nada complicado para um filho de médico e membro do grupo teatral da escola.

Se nesse momento o leitor for um membro de nossa nobre ordem (a dos cafajestes adolescentes) em busca de experiência, preste bastante atenção. As garotas que quiserem se prevenir desse golpe também. Ficar doente é algo que, como tática deve ser usado em casos extremos. Mas todos devem concordar que, no meu caso, a coisa se fez necessária. É sempre muito arriscado pois um único telefonema fora de hora pode por tudo a perder. O ideal é poder contar com alguém da família que atenda todos os telefonemas da noite e diga sempre que você já está dormindo. No meu caso, como em quase todos os casos de cafajestes adolescentes, minha maior aliada era minha mãe. Após conseguir previamente um álibi, vem a hora da caracterização. Procure entre as coisas de sua mãe um daqueles lápis usados em maquiagem. Pinte sob os olhos suaves olheiras. Cuidado para não exagerar e ficar parecendo um personagem da família Adams. Vista-se como se fosse passar a noite toda em seu quarto e vá mais cedo para a casa de sua namorada. Fale de forma lenta, baixa e ofegante. Mantenha os ombros caídos, como se seu corpo estivesse pesando o triplo do normal. Se possível, passe numa farmácia e compre um cristal japonês. Esfregue um pouquinho abaixo dos olhos e em volta das narinas, vai manter seus olhos e nariz bem molhados. Pronto! Agora você está sofrendo da mais forte gripe dos últimos dois séculos e pronto para retornar a sua casa bem mais cedo que de costume.

Após todo esse exercício teatral consegui voltar para casa meia hora antes da saída do ônibus. Arrumei-me com uma velocidade incrível e segui para a escola onde todos esperavam por nossa carona especial, que atrasou em mais de meia hora. Assim que nosso transporte chegou embarcamos e ficamos esperando por um último passageiro. Nesse meio tempo, resolvi descer para comprar cigarros e ao dobrar a esquina deparei-me com o mais improvável, a Leila. É bom salientar que morávamos no mesmo bairro, onde também ficava a minha escola. Ela tinha ido, a pedido da mãe, até a farmácia que ficava próxima a escola. A que ficava bem perto do prédio dela já estava fechada. Ô azar! Ao me ver limpo, bem vestido e mais saudável do que nunca, Leila sequer esboçou reação. Apenas virou-se e seguiu caminho. Márcio, um amigo nosso, tentou detê-la para que pudéssemos conversar mas eu achei melhor que ela voltasse para casa. Assim ela teria tempo para esfriar a cabeça e eu para pensar no que diria para conseguir o perdão. Mas não naquela hora. Afinal, estávamos partindo para a maior festa de todos os tempos. Ah! Lembram que eu falei sobre um último passageiro atrasado? Na verdade eram duas passageiras. Uma de nossas colegas, com a qual eu planejava ficar durante o caminho e, para meu azar quase completo, sua mãe, chata e superprotetora que resolveu nos acompanhar. Sua ingênua e desprotegida filhinha não poderia ir sozinha a uma festa num lugar tão distante. Mal sabia a mãe que a menininha ingênua e eu já tínhamos feito miséria dentro da própria escola. Mas aquela não era hora para eu me deixar abater. Ainda tínhamos muita noite pela frente e muitas outras garotas dispostas a tornar nossa viagem menos longa.

Finalmente partimos e como eu previa a viagem foi incrível. Assim que saímos do meio urbano e pegamos a estrada tratei de pedir ao motorista, com quem fiz questão de fazer amizade bem antes de partirmos, para apagar todas as luzes do ônibus. Como ele era um cara bacana e entendia as nossas intenções, atendeu ao meu pedido. Imediatamente voltei ao fundo do carro (leia-se ônibus) e comecei a escolher minha vítima, doido para dar uma porrada naquela mãe chata e cega que, sentada ao lado da filha na primeira poltrona, não largava o osso. Procurei pela Adriana, com quem também ficava nos intervalos das aulas de teatro (pensando bem, acho que fiquei com quase todas as meninas do grupo de teatro), mas dei azar. Ela já estava com o Flávio. Tentei a Valéria. Que também estava “ocupada”. Tentei a Claudia, mas ela já havia desaparecido debaixo do Márcio. Então, antes que alguém se adiantasse achei a Soyane, a menos bela da turma. Porem a mais “solícita”. Gordinha, seios fartos, uma boca enorme e uma grande qualidade: era a mais experiente das meninas ou seja, sabia exatamente o que fazer num momento como aquele.

No meio da viagem, quando todos achavam que iriam aos “finalmentes” ali mesmo, a luz interna do ônibus se acendeu. Enquanto todos ajeitavam as roupas que ainda não haviam tirado, uma passageira nos olhava com ares de quem estava prestes a ter um ataque cardíaco. Era a brux... quer dizer a mãe de nossa colega, que acabara de pedir ao motorista que acendesse as luzes. Resumo: a mulher foi alternado gritos e resmungos até o local da festa.

Chegamos ao local da festa pouco antes das dez da noite. O cenário era impressionante, cinematográfico. Ao ultrapassarmos o portão principal deparamo-nos com um imenso jardim onde no centro do gramado foi montada uma enorme pista de dança. Os equipamentos de som e iluminação eram de “primeiríssima”. No interior da casa a espaçosa sala de estar foi transformada em um segundo ambiente, mais sofisticado, onde os pais das meninas recebiam os adultos ao som de jazz e blues. E nos fundos, a beira de uma piscina, um espaço mais democrático onde uma enorme churrasqueira assava bois inteiros e todos conversavam ao som de uma dupla que tocava violões e cantava ao vivo. Mas apesar do choque inicial com toda aquela sofisticação e ostentação, consegui voltar ao meu objetivo maior e não pude deixar de observar um importante detalhe. O lugar estava lotado de belas mulheres. Todos os tipos, idades, cores, alturas, espessuras e, principalmente o meu tipo preferido de mulher, a bonita. De inicio não sabia bem por onde começar nem para que lado ir. Eram tantas e tão diversas que nem mesmo meus colegas de irmandade conseguiam definir que caminhos seguiriam.

A partir desse momento percebi que um certo fenômeno se deu naquele local. Todos os meus amigos e colegas de irmandade, deslumbrados com toda aquela fartura, abandonaram seus pares iniciais (inclusive eu). O que deixou uma grande brecha aberta para que eu pudesse alcançar aquela que representava, naqueles dias meu maior sonho de consumo dentro da escola, a Renata, esta havia ficado com um colega cafajeste chamado Fábio durante a viagem. O Fábio, como os outros, já tinha abandonado a Renata e se encontrava aos beijos com uma simpática estranha enquanto dava voltas pela pista de dança. A Renata na varanda rosnava cada vez que mirava os dois enquanto tentava, em vão, disfarçar. Não havia dúvida. Aquele era o meu momento. Aproximei-me e comecei a montar minha teia de palavras:

- Sabe. Eu sempre gostei muito do Fábio. Porém devo reconhecer que ele é um cara de pouca visão.

Ela pareceu não entender muito bem. Talvez pelo barulho. Então prosseguir com o papo:

- É que, apesar de não ser um exatamente santo, eu acho que não seria capaz de tanto desrespeito a alguém. Principalmente sendo esse alguém uma das garotas mais lindas e legais que eu conheço.

Ela rebateu imediatamente:

- É? E a Soyane?

- Sabe como ela é. Já está há meia hora alimentando o papo de um nativo desconhecido. Ou seja, acho que nós dois fomos abandonados.

A partir daí vocês devem imaginar o que aconteceu. A teia cresceu, e nós dois ficamos presos nela. Passamos toda a festa juntos. O que apenas o inicio de uma longa seqüência que culminaria em um namoro anos depois. Todos os meus amigos e colegas de irmandade conseguiram se fartar com tamanha quantidade de caça disponível. As meninas não deixaram por menos e se arrumaram com os nativos. Eu consegui dar um tiro certeiro num alvo há muito almejado. Enfim, a noite foi tudo que esperávamos e mais um pouco.

Cheguei em casa pouco antes das sete da manhã. sentia aquele maravilhoso cansaço de quem passou por horas de diversão. Por tudo que consegui lembrar e muito mais aquela foi realmente uma das festas mais incríveis de toda a minha adolescência. Porém, eu ainda tinha um problema para resolver. Leila. Sei que eu era muito cruel e que me aproveitava do fato dela gostar de mim incondicionalmente mas, no fundo, eu também a amava. Então passei aquela manhã dividindo minha mente entre boas lembranças e a elaboração de um plano para convencê-la de que eu estava arrependido por tamanho ato de desrespeito e canalhice. Pelo menos era isso que devia parecer.