A MELHOR AMIGA (DELA)
Neste momento vocês devem estar achando que não existe nada pior do que um cafajeste adolescente. Há sim! Um político brasileiro, um bandido, um presidente dos Estados Unidos ou, o que existe de pior nesse mundo, uma amiga traíra da namorada do cafajeste adolescente.
Antes de contar essa história tenho que falar de uma de suas personagens principais, a Nana. Nana era uma gracinha, morena, com um certo ar de índia andina. Linda! Nos conhecíamos desde a infância, éramos vizinhos. Nana e eu fomos os melhores amigos por muito tempo, até resolvermos experimentar um beijo num daqueles dias de bebedeira comuns a adolescentes e que as mães insistem em acreditar que não acontecem. Como em qualquer beijo que dá certo (os que dão certo são os que agem como os impulsos elétricos que ativam aqueles enormes eletroímãs usados em ferros-velhos de filme americano) chama outro e outro. Mais um, num momento de elevador vazio etc. Nos tornamos namorados. Ficamos juntos por cerca de dois anos.
Nana tinha uma amiga, ou melhor, uma melhor amiga. A Luciana. Baixinha, loira, bonita, divertida e, acima de tudo, leal. Pelo menos era isso que ela jurava de pés juntos. Num dos verões do final dos anos 80, Nana precisou viajar para seu país de origem. Ela era chilena. Sua avó estava muito doente e todos acreditavam que seriam seus últimos dias de vida. Queriam toda a família reunida. Nana, que como eu já disse, me conhecia “muuuito” bem desde a infância, passou para a Luciana a tarefa de acompanhar meus passos enquanto estivesse fora e a Lu, como boa amiga, aceitou prontamente a missão. Fomos todos juntos ao aeroporto acompanhar a Nana e seus pais. Na volta, nos despedimos normalmente e ficamos alguns dias sem nos vermos.
Uma semana após sua partida, Nana ligou para a Lu. Queria saber como andavam as coisas por aqui e, é claro, se eu estava me comportando. Lu achava que sim, ainda não tinha falado comigo mas sabia que todos os garotos do condomínio iriam juntos a uma nova casa noturna em São Conrado, no Rio. Ao receber a notícia a Nana pediu que a amiga tentasse nos acompanhar nessa saída para se certificar de que eu não faria nada de mais. Sua nova missão agora era me acompanhar a noite toda, bem de perto. Foi exatamente o que a Luciana fez. Ligou para minha casa e perguntou a meu irmão se ele se incomodaria em lhe dar uma carona. iríamos todos juntos. Será que eu preciso contar o resto?
Bem, vamos lá! Naquela noite, como o grupo que prometia ir era grande, meu irmão sairia com o carro dele e eu com o do meu pai, além de outros dois carros de amigos. Na hora de sairmos a Luciana, em uma atitude de total lealdade a Nana, se ofereceu para ir comigo e, adivinhem! Quatro pessoas desistiram de sair na última hora. Eu e a Lu estávamos indo juntos e sozinhos no carro para a nova boate. Até aí, tudo bem. Conversamos bastante no caminho, no bar onde paramos para “aquecer as turbinas” e dentro da boate. Passamos todo o tempo exatamente como a Nana queria, bem próximos. Luciana não desgrudou os olhos de mim durante toda aquela noite. Eu disse toda a noite? Pois é! Por volta das duas e meia da manhã, mais ou menos uma hora após entrarmos, a Lu pediu para irmos embora. Achei que ela não estivesse passando bem e resolvi leva-la para um passeio. Fomos para o carro e eu a perguntei para onde deveríamos ir. Ela sorriu e disse:
- “Você que sabe”.
Como um bom cafajeste disse logo:
-Ah Lu, não deixa por minha conta que eu posso pensar em alguma “maldade”.
A resposta da bela amiga de minha namorada (que a cada copo ficava mais bonita) foi categórica:
- Acho que a melhor coisa que poderíamos fazer hoje seria uma dessas “maldades”. A Nana sempre elogiou muito a forma como você consegue ser carinhoso com ela e...
- e o quê? Perguntei.
- e a sua performance "naquelas horas". Daí, não possa negar que fiquei muito curiosa e...
Naquele momento, um turbilhão de pensamentos tomou conta de minha mente. Safada, cachorra, galinha, traidora. Nossa! Que olhos lindos! Piranha, falsa...mas que boca é essa? Sem vergonha, traíra. Então, prontamente olhei para aquele par de olhos azuis e falei de forma ríspida:
- Me beija!
É muito fácil entender a minha reação. Após todo aquele xingamento mental meus três neurônios ativos (Huguinho, Zezinho e Luizinho) começaram a trabalhar em pleno vapor e eu tive um lampejo de consciência. Peraí! Euzinho, sozinho num carro com aquela deusa tipicamente européia me olhando nos olhos e me dando carta branca para decidir os nossos rumos. E a minha reputação, como ficaria? Parti para dentro. Então, atendendo ao pé da letra ao pedido da minha namorada, a Lu passou a noite toda comigo.
E a Nana? Como ficou a Nana? Ah! Deixa pra lá! O que os olhos não vêem o coração não sente.
2 comentários:
hauhauahuah ri demais!!!
ass: Edd
safados!
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