sexta-feira, 3 de outubro de 2008

MICOS

Estou inaugurando uma nova série. Graças aos pedidos dos meus alunos que sempre se deliciam com alguns desses e outros micos, meus e de alguns amigos. Então lá vai...

A arma

No início dos anos 90, Niterói era bem diferente do que é hoje. Nós saíamos de casa quase sempre por volta da meia-noite, curtíamos as casas noturnas da cidade e fechávamos a noite (até o sol nascer) ao ar livre, em lugares bastante agradáveis. Tudo isso sem nos preocuparmos com assaltos, estupros, seqüestros-relâmpago, entre outros, que eram pouco comuns ou, como o último, sequer existiam. Vocês acreditam nisso?
Um desses lugares agradáveis onde esperávamos pela chegada do dia era o mirante do bairro Boa Viagem, onde hoje fica o Museu de Arte Contemporânea, o MAC. No lugar ficavam uns três ou quatro traileres (espero estar correto na grafia deste estrangeirismo), onde a galera fazia aquele último lanche da madrugada, fundamental pra quem passa a noite entre bebidas e muita atividade física. Calma! Por enquanto só estou falando da DANÇA.
Num desses fins de noite, seguíamos da Região Oceânica para o mirante, num fusca, eu e uma nova “amiga”, fazendo uma interessante confraternização no banco de trás enquanto meus dois amigos, o Ricardo e o Márcio, fingiam que não nos viam lá da frente. Ao passarmos por um túnel, ultrapassamos o carro de um outro amigo e os garotos resolveram brincar de “bang-bang” com eles. Como o carro estava desregulado, cada vez que se pisava fundo no acelerador o motor estourava (algo comum ao motor do fusca). Foi aí que o Márcio resolveu por o corpo pra fora da janela e fingir que atirava no carro do nosso amigo. Quando, chegamos ao mirante nosso carro foi fechado por um voyage branco, de placa branca e de dentro saíram dois caras com armas nas mãos que gritaram:
- POLÍCIA!! Mãos pra cima! Saiam do carro agora!
Como eu estava muito preocupado em conhecer melhor a minha nova amiga no banco de trás, sequer olhei. Achei que fossem os outros caras de brincadeira conosco. Fui puxado pela gola da camisa, que já estava toda aberta e saiu sozinha na mão do policial. Foi quando eu entendi o que estava acontecendo e resolvi sair do carro. Assim que saí vi meus amigos postos de frente para o fusca, com as mãos no teto do carro, sendo revistados e fui obrigado a me por na mesma posição. Logo, um dos policiais estava me revistando e, como eu já estava sem camisa, ele já começou pela minha cintura. Após passar as mãos por minhas pernas, indo até as canelas, resolveu voltar a minha região pélvica. Um parêntese. Eu estava tão empolgado com a nova amizade que eu estava estreitando no banco de trás que nem mesmo a adrenalina de uma revista policial foi capaz de acabar com minha excitação. Foi aí que o mico nasceu. Ao apalpar a área frontal da minha pélvis o policial sentiu um volume estranho e foi conferir, apalpando novamente e apertando o objeto suspeito.
- HUUUUMMM! Foi a minha reação.
Quando percebeu do que se tratava deu um salto para trás puxando rapidamente as mãos, como quem as tira da boca de um cachorro feroz. Foi quando ele olhou a sua volta pra ver se alguém mais havia notado a sua gafe. Logo viu o seu parceiro dando gargalhadas atrás dele e todos nós contendo as nossas ao redor do carro, sem muito sucesso, é claro. Daí ele soltou a seguinte pérola:
- Puxa, pensei que o cara estivesse armado!
Pronto! Agora estávamos todos a gargalhar em volta do carro e eu, como sempre, não consegui me conter.
- Eu estava “armado” mesmo, não notou?
Mais gargalhadas. Muitas gargalhadas. Nossas e do outro policial.
Foi quando eu levei um tapa na orelha que só de lembrar faz meu ouvido apitar até hoje.
- Muito engraçado! Isso é para você aprender a respeitar uma autoridade!
O pior é que eu não sabia se lamentava pela dor ou se continuava rindo como todos os outros.
Mas valeu a pena. De um mal entendido surgiu uma das histórias mais engraçadas da minha juventude.

5 comentários:

Anônimo disse...

Uma pequena curiosidade... Isso aconteceu com vc??
Pq se foi meu querido sou obrigada a confessar que de todas as historias que vc coloca essa foi a q eu chorei de tanto rir... husasuaas

Anônimo disse...

Fala aê Sérgio!Muito bom o teu blog!!
Mas essa hitória aí do policial é demais cara, muito engraçada!É... momentos bons,sensações nostálgicas...
Mas continue com a coluna de micos,vai ficar muito bacana.
Bjo

Bel Cristina(uns dos "pokemóns discípulos" mais evoluídos)(hehe)

Alice disse...

aaah nao acredito! hauauhauhauha
meu deus, parece aquelas histórias de filme que a gente sempre pensa "ninguém merece, isso nao acontece na vida real!¬¬"
cara, muito hilário! ahuhauhauha

°°mila°° disse...

Quem vê o Sergião em sala não imagina o quão cômico foi sua juventude.
Bom, é sempre bom poder dar boas risadas.
Um forte abraço prof.
Camila

Mônica e Marcela Coelho disse...

Tinha que ser ele ! hahahahaha
Saudades das suas histórias, Sérgio ! Mas acredite, as histórias do pessoal da faculdade são iguais ou mais sinistras que as suas ! esse povo de humanas é o melhor, sempre !

PS: lembra de mim, né ?