sábado, 11 de abril de 2015

Direto do Túnel do Tempo

Por muito tempo, um dos principais comentários que eu ouvia a respeito do nosso país era sobre o quanto nós brasileiros éramos atrasados. Sempre rejeitei essa opinião e, em minhas réplicas, usava os exemplos de brasileiros reconhecidos no exterior por sua visão atemporal, como Paulo Freire e meu eterno mestre Milton Santos .
Mas olhando a minha volta, nesse Brasil contemporâneo, minha impressão é de estar sentado no banco do carona do DeLorean do Dr. Brown, completamente desgovernado.
Nas ruas, uma classe média manipulada por uma certa empresa do setor de comunicação, exigindo que a mão pesada dos militares cale as vozes para conter, a qualquer custo, o avanço do comunismo (se naquela época eles não sabiam o que isso significa, imagine agora!). É quando olho para o painel e percebo que estou na década de 60.
Logo em seguida, olho os noticiários eletrônicos, estes sim, modernos e ágeis, (tão ágeis que já divulgam a notícia antes mesmo que ela se confirme e se torne uma notícia de verdade) e vejo o congresso votando um pacote de leis que trazem consigo a fúria neoliberal do Brasil dos anos 90 ou pior, dos EUA do início da "era Reagan ", nos anos 80.
Tudo isso vem acompanhado pelo eterno deslumbre a respeito do exterior, que tenta nos convencer que estamos no caminho certo sempre que adotamos um modelo de gestão testado (e reprovado), em especial pelos filhotes mal criados da Inglaterra. Agora me sinto nos anos 50.
Se temos o dom de imitar, por que não olhamos para os belgas, os noruegueses ou os dinamarqueses? Ou melhor, por que não aceitamos que nossa realidade é  única, criamos e impomos nosso próprio modo de vida, assim como fizeram os estadunidenses? Assim, estaríamos provando que é  possível aprender algo de bom com tudo e, finalmente, retomar nosso rumo de volta para o futuro.

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