Hoje, ao corrigir algumas avaliações de meus alunos de
ensino médio, me dei conta do quanto os mesmos não fazem ideia do que
significam conceitos como Direita, Esquerda, Capitalismo, Socialismo e
Comunismo e do quanto não os ensinamos em nome de um montante de “conteúdos”
que precisamos cumprir a tempo. Porém, quase todos se apropriam destes conceitos
para construir seus discursos polarizados, lotados de preconceitos, que replicam
o senso comum da classe média, que nos convencionamos a chamar de “coxinhas” (sendo
tão polarizados e preconceituosos quanto). É nítida a carência de conceitos dos
nossos jovens, quase sempre estimulada por uma hierarquização das áreas de
conhecimento que é, na maioria dos casos, construída dentro de casa. A ideia é
de que as Ciências Humanas fariam parte de um conjunto de conhecimentos
desnecessários, de menor importância para ascensão profissional ou para a
manutenção da posição social daqueles mais favorecidos. E infelizmente essas
ideias estão tão enraizadas em nossa sociedade que mesmo colegas de outras
áreas do conhecimento (alguns poucos das próprias Humanas) supervalorizam suas ciências
e diminuem a importância dos conceitos sociais. No ambiente escolar, nós
profissionais de História, Geografia, Filosofia e Sociologia, somos os “chatos”
que reclamam de tudo, os rebeldes que não aceitam as imposições dos patrões,
mas se esquecem que somos também os “bois de piranha” que apontamos falhas,
citamos direitos de deveres antes de todos. Com isso, as poucas conquistas que
temos (que são para todos) são resultado da nossa chatice. Parece que só nós
temos a exata noção do que é nosso direito.
Portanto, eu proponho que todos nós façamos a nossa parte e
nos concentremos primeiramente em ensinar os significados verdadeiros dos conceitos supracitados e que não sigamos com nossos conteúdos enquanto estes,
que são os mais básicos, não sejam nitidamente compreendidos por nossos alunos.
Se algum colega ainda não tiver esses
conceitos claros em mente, que estude, essa é a nossa função. Fico muito triste
quando ouço falar de colegas que não apenas desconhecem o básico como ainda
impõem suas opiniões limitadas declarando que os demais são “comunistas” e
estes sim estariam querendo transformar os alunos em rebeldes, defensores das
ideias de Marx ou “petistas” defensores de “bolsa miséria” ou de cotas, como me
relatou uma aluna por esses dias, me contando sobre uma conversa que teve com
uma amiga da mãe, formada em geografia (no caso desta, com G minúsculo mesmo).
Enfim, temos a responsabilidade de dar aos nossos alunos os
caminhos para que a preguiça mental, a desinformação, a aceitação passiva de
qualquer comentário propagado por canais de TV ou redes sociais não seja o padrão
para as próximas gerações. Por mais que nossos empregadores nos digam que a
quantidade de conteúdo é o que importa, não podemos fugir a nossa
responsabilidade de ENSINAR os conceitos para que nossos alunos escolham, com base no
conhecimento e não na desinformação ou no preconceito, quem querem ser diante
da sociedade.
Um comentário:
O que mais me entristece é ouvir de colegas bem próximos chavões q irritam até uma lesma!
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