domingo, 28 de fevereiro de 2016

Crise? Para quem?



Algumas observações:


1 - A crise só é feia na hora de explicar porque não se pode dar aumento de salário aos trabalhadores e você, baixa a cabeça e acredita.

2 - PT é de comunista? Que esquerda é essa que sacrifica serviços básicos e garante a concentração de riqueza?

3 - Toda a polarização comprada pelos bobos que hoje odeiam o governo (pelos motivos errados) não se justifica. Enquanto você discute e abala suas amizades com aqueles que enxergam não haver diferenças ideológicas e que a solução não é trocar situação (PT) por oposição (PP, PSDB, DEM, etc), que nenhum deles é bonzinho e que a verdadeira oposição mesmo estaria na verdadeira esquerda. Enquanto você os "xinga" de comunistas por tentarem te mostrar o quanto sua opinião está sendo manipulada ou enquanto você acredita numa fantasiosa guerra-civil para defender a nação dos interesses de um comunismo tão verdadeiro quanto uma nota de três reais, a população se divide e o foco nos verdadeiros pontos de reivindicação, pelos quais todos, independente de visão política, deveriam estar nas ruas exigindo, se perde.


Desde 2013 eu digo que este é um momento de união e não de polarização, pois é isso que os personagens de matéria abaixo desejam. De um lado, venho sendo considerado "comunista", "vermelho" (hahahahaha, desculpe), de outro lado, dizem que eu não saio de cima do muro. Por fim, sou o maior bobo de todos, por acreditar em revoluções populares, o que a própria História já provou não existir.


Os integrantes da classe social a qual o assalariado, apesar de defender, nunca vai pertencer (Os ricos de verdade. 1% da população), devem dar gargalhadas a cada vídeo de algum idiota dentro do carro gritando que o governo é comunista. Eles conhecem a diferença.
http://g1.globo.com/carros/noticia/2016/02/carro-de-luxo-continua-driblando-crise-vendas-sobem-20-em-2015.html

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Não ignore os avisos da História

Assistindo o "Terceiro Reich", especial em duas partes (ascensão e queda) do History Channel.
Impressionante ver o poder da propaganda de Hitler, como a população alemã comprou o nazismo como algo muito positivo, a salvação para o pais, a militarização da sociedade, como aceitaram a culpa dos judeus por seus problemas e o quanto o mundo viu a Alemanha com bons olhos até pouco antes da segunda guerra, ao ponto de Hitler ser escolhido "o homem do ano" pela revista americana Time em 1938.
A História mostra que os grandes pesadelos da humanidade surgiram inicialmente como um sonho dourado, como a solução definitiva para todos os males.
Está tudo aí registrado. Os males históricos só se repetem para quem não os conhece.
Todo "salvador da pátria", em especial aquele que se apresenta como o bastião da moralidade, como messias, apontando o dedo indicador para condenar o diferente, estimulando o maniqueísmo, deve ser visto com muito cuidado.

"A cadela do fascismo está sempre no cio"
Bertold Brecht

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ainda preso no "Dia da Marmota"



Lembra do tempo em que você desconversava, dizendo que "religião, política e futebol não se discutem"? Lembra quando se dizia que o Brasil era o "país de todas as raças" para evitar o tema racismo? Era o século XX, lembra?


Os resultados estão aí:

- Terreiros de Umbanda e Candomblé atacados, seus fiéis agredidos.

- Gente com medo do Comunismo, agredindo pessoas por suas convicções políticas. Agredindo artistas consagrados e fazendo apologia à ditadura.

- Pessoas sendo humilhadas, ofendidas por suas características físicas, sendo consideradas inferiores por serem indígenas ou afrodescendentes. Jovens universitários negros sendo rejeitados por seus colegas. Negros ricos e ignorantes se considerando brancos.


O pior é ver os próprios agressores, preconceituosos, fanáticos religiosos e analfabetos políticos dizerem que "O Brasil não vai para a frente", quando eles mesmos se recusam a abandonar a fase mais sombria do século passado.


A cada manhã, leio os comentários e me sinto preso, em um enorme e interminável "Dia da Marmota".

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Mais uma sobre a democracia racial brasileira



Até agora, todas as pessoas que disseram que é bobagem alguém se sentir incomodado com a foto do menino fantasiado de macaco, ou não são negras ou não se consideram como tal. Assim é fácil, né gente?
Eu realmente acredito na inocência do pai que, ao crer no mito da democracia racial, focou a fantasia da família na relação de amizade dos personagens do desenho animado. Acredito mesmo.

Porém, como pai, talvez tenha faltado um exercício de futurologia, ao não olhar "para frente" e imaginar que seu filho adotivo, que provavelmente estudará numa escola privada onde há predominância de não-negros, terá que aprender a conviver com o racismo velado nas piadinhas para se sentir incluído, em especial durante a mais cruel fase da nossa vida social, a pré-adolescência (nós que damos aulas em turmas de 6º e 7º ano sabemos bem o que é bullying).

Estudei em escolas de elite, fui um dos raros jovens negros em várias das minhas turmas e sei exatamente como isso funciona. Tive que dar aquele sorrisinho "amarelo" ao final de cada piadinha e fingir que não ligava por receio de ser rejeitado. Por ser filho de negro com branca o convívio entre as diferentes tonalidades de pele era uma constante em minha casa e, talvez por isso, eu tenha passado bem por essa fase, apesar de nunca me esquecer dela.

Me senti duplamente incomodado com a imagem, como cidadão negro (como me considero, apesar de tentarem me rotular de coisas que vão desde o "moreninho" até o "marrom bombom") e como pai. Espero sinceramente que este jovem pai, que já afirmou estar esperando a autorização para uma segunda adoção, tenha enxergado que não pode criar seus filhos negros como se fossem brancos, muito menos crer que o racismo vá se desfazer em algumas poucas gerações. Espero que ele estimule seus filhos a enfrentarem de forma firme as barreiras que irão se interpor aos seus objetivos e que os ensine a ter orgulho deles mesmos, dos seus pais e do seu povo.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Sua postagem de protesto pode estar servindo a quem?

Para que serve uma polêmica?

Nos dias de hoje, através das redes sociais, tudo pode virar polêmica. Cada vez que alguém, revoltado com alguma declaração deste ou daquele político ou com algum barraco de reality show em decadência, posta imagem, vídeo ou seja o que for para confirmar sua insatisfação, pode estar dando ao vilão escolhido toda a publicidade da qual ele tanto precisa.
Pois nos últimos dias tenho me policiado para não compartilhar nada que mencione diretamente o nome de um certo deputado nem de um certo programa de tv que se assemelha a um zoo humano. Refleti e concluí que, cada vez que divulgo uma polêmica estou movendo a curiosidade dos meus contatos e, com isso colaboro para aumentar o "IBOPE" do programa ou da pessoa.
Tenho dois canais no YOUTUBE, um falando sobre educação (assunto sério e relevante a toda sociedade) e outro de caráter mais pessoal. Sinceramente não considero meus vídeos nenhum primor de produção e, talvez por isso, todos tem poucas visualizações. Então me deparo duas vezes com amigos, com os quais comungo de ideias de esquerda, compartilhando o video de um jovem, sem camisa, daqueles que se acham os projetos de Dwayne Johnson (nada contra o ator) falando um monte de besteiras sem nexo, como  "esquerdistas de merda", ou "tem que ter shape". Grunindo como uma fera, sem saber o que dizer e, por isso, repetindo as mesmas frases e palavrões sem parar.
O que os amigos não notaram é  que, apesar de terem o intuito de ridicularizar o vídeo, acabaram de garantir mais algumas dezenas de visualizações para um verdadeiro imbecil. Aliás, só de mencionar  acabei de garantir mais algumas visualizações para ele, pois certamente você que está lendo ficou curioso.
Sendo assim, pensem bem antes de compartilhar algo pelas redes sociais. Ao contrário do que você imagina, pode estar fazendo mais propaganda gratuita do que criticando algo que você rejeita.