quinta-feira, 31 de março de 2016
Não é por ter o direito de recusa que a médica gaucha esteja correta
No início dos anos 80, meu irmão mais velho foi atropelado e sofreu uma serie de fraturas bastante graves. Meu pai, apesar de ortopedista e traumatologista, de ter uma ampla experiência em cirurgia ortopédica, pediu a um amigo que atendesse, realizasse as cirurgias necessárias e acompanhasse seu filho, por não se sentir em condições emocionais de realizar tais procedimentos. Hoje em dia vejo este episódio como um ato de profunda responsabilidade e ética profissional por parte do meu velho.
Por isso, reconheço o direito da pediatra gaúcha em recusar atender o bebê de um ano, filho de ativistas de esquerda, já que ela acredita não ter condições emocionais de acompanhar o paciente a contento. É direito dela como profissional.
O que se questiona é o quanto o ódio tomou conta desta "profissional" (sim, entre aspas), visto que o bebê sequer desenvolveu um entendimento do mundo a sua volta, muito menos inclinações políticas. Me espanta que a aversão da "médica" aos pais seja tamanha que ela acredite que vá atender mal a uma criança de um ano apenas. Me espanta que o corporativismo nítido entre os profissionais desta área (muitas vezes misturado ao mesmo ódio que motivou a colega) os leve a interpretar a situação com total normalidade. Já tive alunos brilhantes com pais completamente desprezíveis e isso nunca me fez negar aulas extras ou particulares, apesar de ser meu direito. Por quê? Porque nenhum deles tinha culpa por ter nascido filho de uma pessoa insuportável para mim. Uma questão simples de ética aliada ao bom senso. Se o desequilíbrio emocional desta pessoa a leva a crer na possibilidade de representar um risco a uma criança, não há nada de profissionalismo nisso, é uma questão de caráter. Aliás, de um péssimo caráter.
O fato de ser um direito legal, doutores, apesar de eloquente, não torna o ato correto. Foi com base nesse legalismo frio que muitas atrocidades foram cometidas ao longo da História.
Imagina se isso virar moda. Bancos rejeitarem crédito a clientes que criticam juros altos, postos de gasolina não abastecerem carros com adesivos de partidos políticos, dentistas católicos rejeitarem pacientes espíritas.
Pensemos bem no precedente que o silêncio diante desta situação pode abrir.
quinta-feira, 24 de março de 2016
O silêncio dos inocentes
Você que tem usado o termo "petista" como um palavrão nos últimos meses, você que tem seguido cegamente os noticiários globais e a Veja, que tem acumulado tanto ódio que acredita que todos que não querem o impeachment são seus inimigos, você que não dá ouvidos a ninguém e acredita na imparcialidade do juiz Sérgio Moro. Tomarei o seu silêncio por estes dois últimos dias como um momento de reflexão, no qual você finalmente começou a se dar conta de que o tal juiz tentou esconder de você e de todo o povo brasileiro uma lista que entregava dezenas de nomes de apadrinhados políticos da empresa Odebrecht.
Porém, para a sorte de todos e para que caíssem as máscaras de vários políticos caras de pau, essa lista já havia sido divulgada antes mesmo da tentativa do juiz moro de impor sigilo sobre ela e, dessa forma, se contradizendo e protegendo vários políticos corruptos. Pior, o Ministério Público recusa a oferta de delação por parte dos executivos da empresa, o que poderia esclarecer a todo povo brasileiro quem é quem neste interminável mar de lama.
Use este silêncio não como sinal de vergonha por você ter caído na lábia global e sim para raciocinar um pouco. Você pode pedir o impeachment, é um direito seu, assim como é meu direito discordar da validade deste processo, mas na sua próxima ida às ruas, que tal escrever em seus cartazes, "queremos o Cunha caçado", "queremos todos sendo investigados independente do partido", "Judiciário sem partido", ou coisas do tipo?
Quem sabe desta forma teremos finalmente a população brasileira lutando UNIDA, contra um inimigo que não tem cor, nem bandeira, nem partido, a CORRUPÇÃO.
Use este silêncio não como sinal de vergonha por você ter caído na lábia global e sim para raciocinar um pouco. Você pode pedir o impeachment, é um direito seu, assim como é meu direito discordar da validade deste processo, mas na sua próxima ida às ruas, que tal escrever em seus cartazes, "queremos o Cunha caçado", "queremos todos sendo investigados independente do partido", "Judiciário sem partido", ou coisas do tipo?
Quem sabe desta forma teremos finalmente a população brasileira lutando UNIDA, contra um inimigo que não tem cor, nem bandeira, nem partido, a CORRUPÇÃO.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Vai ter golpe!
Vai ter golpe sim. Ele pode demorar, como ocorreu na Venezuela, onde os empresários estocaram produtos básicos para pressionar a inflação para cima e culpar o governo pelo desabastecimento. Ou será relâmpago, como o ocorrido no Paraguai. Golpistas não desistem, conhecem bem o poder que tem nas mãos. São sabotadores, não permitem que governantes cumpram suas funções. Golpistas tem tempo e dinheiro para investir na queda de um modelo de Estado, por saberem o quanto será rentável tal investimento quando, sem duvida alguma, chegarem ao poder.
Golpistas são estrategistas e, com a imprensa, boa parte do poder legislativo e o poder judiciário nas mãos, criminalizarão todo candidato contrário aos seus interesses e comprarão todo candidato que dê seu devido preço. Para eles, não há nenhum absurdo ou falha de caráter nisso. É natural aos seus olhos que eles apenas estão retornando ao lugar que sempre foi deles, no caso dos nossos golpistas, por mais de 500 anos.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Vamos para Cuba?
Uma das coisas que mais me encanta e sempre me encantou na Geografia é a Geopolítica. Talvez essa paixão tenha nascido durante a década de 80, quando eu e meus amigos do condomínio onde cresci varávamos as madrugadas dos fins de semana em intermináveis partidas de WAR.
Nessa época aprendi a enxergar o Mapa Mundi de forma ampla, prevendo movimentos e criando estratégias.
Montado minha aula de atualidades de amanhã, pra qual marquei um debate com o tema "Vai para Cuba", bati os olhos no mapa das Américas e uma série de rotas e estratégias se desdobraram diante deles.
Com o início das obras do canal da Nicarágua, Cuba se torna um dos mais importantes pontos estratégico-comerciais do mundo, visto sua proximidade do futuro canal. O investimento é chinês, no qual o acordo dá possibilidade de controle do novo e mais moderno canal a uma empresa chinesa por 100 anos (idêntico ao acordo Panamá-EUA). A Rússia, parceiro de BRICS do Brasil e da China, entra no negócio, que amplia a possibilidade do canal ser usado como rota militar, o que ameaçaria a hegemonia estadunidense, consolidada desde os tempos da política do "Big Stick", no início do século XX. Diante disso, lembrei da gritaria dos raivosos, dizendo que o governo "deu dinheiro" aos cubanos para a construção do canal. Isso quando não diziam, aos berros, "VAI PRA CUBA" (ah, quem me dera!).
A rota do Canal da Nicarágua, aprovada pelo governo do país, em acordo com a empresa chinesa HKND. (Fonte e desenho: AFP)
Ao olhar o mapa a partir de uma perspectiva não eurocêntrica (coisa que não estamos acostumados a fazer), enxerguei todos os caminhos para a expansão do comércio marítimo que o Porto de Mariel, em Cuba podem abrir a partir da conclusão do Canal da Nicarágua, previsto para um prazo entre 2021 e 2026. Nicarágua e Cuba que, por sinal, formam com Bolívia, Equador e algumas nações do Caribe da A.L.B.A. Aliança Bolivariana para as Américas, ou seja, um bloco econômico.
Unindo os pontos, temos futuras novas rotas comerciais, um novo "atalho" entre o Atlântico e o Pacífico, investimento chinês e navios russos, ameaçando a hegemonia dos EUA nessas rotas.
Concluindo, o investimento brasileiro pode não ter sido tão ruim quanto propagam os críticos cheios de ódio.
E você aí acreditando que o Barack Obama era o cara bacana que resolveu tentar convencer seu congresso a quebrar o embarco econômico à Cuba por motivos humanitários, hein!

Fonte: Revista Isto é
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