quarta-feira, 16 de março de 2016

Vamos para Cuba?



Uma das coisas que mais me encanta e sempre me encantou na Geografia é a Geopolítica. Talvez essa paixão tenha nascido durante a década de 80, quando eu e meus amigos do condomínio onde cresci varávamos as madrugadas dos fins de semana em intermináveis partidas de WAR.


Nessa época aprendi a enxergar o Mapa Mundi de forma ampla, prevendo movimentos e criando estratégias.


Montado minha aula de atualidades de amanhã, pra qual marquei um debate com o tema "Vai para Cuba", bati os olhos no mapa das Américas e uma série de rotas e estratégias se desdobraram diante deles.


Com o início das obras do canal da Nicarágua, Cuba se torna um dos mais importantes pontos estratégico-comerciais do mundo, visto sua proximidade do futuro canal. O investimento é chinês, no qual o acordo dá possibilidade de controle do novo e mais moderno canal a uma empresa chinesa por 100 anos (idêntico ao acordo Panamá-EUA). A Rússia, parceiro de BRICS do Brasil e da China, entra no negócio, que amplia a possibilidade do canal ser usado como rota militar, o que ameaçaria a hegemonia estadunidense, consolidada desde os tempos da política do "Big Stick", no início do século XX. Diante disso, lembrei da gritaria dos raivosos, dizendo que o governo "deu dinheiro" aos cubanos para a construção do canal. Isso quando não diziam, aos berros, "VAI PRA CUBA" (ah, quem me dera!).



A rota do Canal da Nicarágua, aprovada pelo governo do país, em acordo com a empresa chinesa HKND. (Fonte e desenho: AFP)


Ao olhar o mapa a partir de uma perspectiva não eurocêntrica (coisa que não estamos acostumados a fazer), enxerguei todos os caminhos para a expansão do comércio marítimo que o Porto de Mariel, em Cuba podem abrir a partir da conclusão do Canal da Nicarágua, previsto para um prazo entre 2021 e 2026. Nicarágua e Cuba que, por sinal, formam com Bolívia, Equador e algumas nações do Caribe da A.L.B.A. Aliança Bolivariana para as Américas, ou seja, um bloco econômico.


Unindo os pontos, temos futuras novas rotas comerciais, um novo "atalho" entre o Atlântico e o Pacífico, investimento chinês e navios russos, ameaçando a hegemonia dos EUA nessas rotas.

Concluindo, o investimento brasileiro pode não ter sido tão ruim quanto propagam os críticos cheios de ódio.

E você aí acreditando que o Barack Obama era o cara bacana que resolveu tentar convencer seu congresso a quebrar o embarco econômico à Cuba por motivos humanitários, hein!









Fonte: Revista Isto é

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